Denúncia Ambiental no Córrego Santo Antonio na "Cidade das Águas"

 Aplausos Eco-Nascentes para Juliana Pires, 10 anos, estudante em Hidrolândia
O questionamento dela é como será o futuro da humanidade se em cada cidade existir  um córrego assim? Ficou mais preocupada quando pesquisou e viu que  não existe só um, mas, vários lugares no planeta com este cenário desolador.Compreendeu  que temos que colaborar com a salvação dos seres vivos no planeta,  pois ele se salvará por si só, reagindo as ações do homem, com respostas assustadoras como presenciamos diariamente nos noticiários nacionais e internacionais, como exemplo as catástrofes no Japão, as enchentes no  Brasil, a morte pela fome na Africa, etc
O SOS NASCENTES  destaca e homenageia esta corajosa  garota  que soube fazer uma  denúncia com qualidade, reunindo provas e buscando ajuda e soluções… É assim que se faz!

 Encontro com Germano
 Secretário do Meio Ambiente de Hidrolândia, para informar-se dos projetos futuros em relação ao local onde está a bica que capta mais de 50 caminhões de água diariamente. A resposta foi que o foco está no Córrego Grimpas onde há captação de água da Saneago, e que por enquanto ainda não tem projeto definido para o Córrego Santo Antonio.
 Encontro com Sinvaldo dos Anjos 
Presidente da Associação do Rego d’Água, para buscar informações do local de captação de  água no Córrego Santo Antonio e foi informada que é próximo á nascente, que não está poluída.
Encontro com Daniel Santos
 Engenheiro de obra do trecho de duplicação da BR 153, que lhe deu uma aula prática e lhe mostrou como sairá a água na caixa coletora, e como passará pela galeria até chegar no córrego… poderá até beber dela!
 
Efluente da Empresa Laticinios Marajoara, que tem mau cheiro e contamina as águas.
A Semarh já fez visita ao local e enviou laudo para a Procuradoria de Justiça da cidade. Agora  resta aguardar os resultados.
Ernesto Augustus, do Meia Ponte.Org, 
 Tem grande experiência em analisar água e atendeu o pedido do SOS Nascentes para fazer relatório da real situação das Águas do Córrego Santo Antonio
Encontro de Juliana com a equipe do SOS Nascentes a quem pediu ajuda para mostrar a realidade deste local na Cidade das Águas
Relatório de Analise de Água do Córrego Santo Antonio

Avaliação do impacto do efluente lançado pela indústria de beneficiamento de leite  Marajoara, no Córrego Santo Antônio, em Hidrolândia-Go na primeira quinzena de setembro, realizado pela equipe do SOS Nascentes e Meia Ponte.Org
Metodologia
Todas as verificações de amostras foram realizadas utilizando-se reagentes específicos para cada parâmetro. Utilizamos um ecokit que possui os reagentes necessários para a pesquisa. Em virtude das variações dos níveis do pH e O.D em função do horário, iniciamos os testes a partir das 10 horas da manhã e fomos até em torno das 13 horas. Considera-se que essa é uma faixa de horário ideal para realização dos testes. O passo dois foi a escolha de três pontos do córrego Santo Antônio, no município de Hidrolândia.
O primeiro ponto, o qual chamamos de 0 fica acima do lançamento da indústria de laticínios e foi analisado para mostrar que o córrego antes do lançamento do efluente possui água com ótima qualidade. O segundo ponto, o qual chamamos de 1  é ao lado do cano de lançamento do efluente tratado pela Marajoara, e o terceiro ponto, o qual chamamos de 2 é distante cerca de 100 metros a jusante do ponto 1. Avaliou-se alguns dos principais parâmetros indicativos da qualidade da água dentre os quais podemos destacar: Oxigênio dissolvido(OD), Fosfato, Amônia* e pH. A escolha desses parâmetros se deu pelo simples fato de que a alteração em um deles, ou em seu conjunto, já demonstra claramente a deterioração das águas do local.

Resultados
 

Abaixo demonstro uma tabela que contém os resultados das amostras analisadas:

Parâmetro
Ponto 0
Ponto 1
Ponto 2
Normal **
pH
7.5
< 4,5
5.0
6 até 9
O.D
7 mg/L
< 1.0 mg/L
< 3.0 mg/L
> 5 mg/L
Fósforo Total
0
> 1 mg/L
= 1 mg/L
***0,1 mg/L
Tabela 1

* Apesar de ter sido encontrada amônia nos pontos 1 e 2, esta não estava em quantidade suficiente para ser tóxica para o curso d’água, mesmo com alteração dos valores de pH do mesmo.
** Valores dos parâmetros conforme classe 2 segundo a resolução para rios  n° 357 de 17 de Março de 2005 do CONAMA.
*** Fósforo total para rios ( Lóticos)

Podemos perceber na tabela 1 que existe uma alteração na qualidade da água do córrego Santo Antônio para corpos d’água classificados como classe 2. As águas da classe 2  podem ser usadas para abastecimento público após tratamento convencional. Servem também para proteção da vida aquática, natação, irrigação de verduras e frutas e criação de peixes. No caso do Santo Antônio não podemos de forma alguma enquadrá-lo como classe 2 no trecho após o lançamento de efluente da Marajoara

Mas o quanto a alteração de um dos parâmetros acima citados podem influir na qualidade das águas e até mesmo na manutenção da vida lá presente? Vamos as explicações abaixo:

pH  – É um fator de medida da intensidade de amostras ácidas e básicas. Um pH de 7 é neutro, abaixo de 7 é ácido. Conforme na tabela acima podemos perceber que ambas as amostras se encontram bem abaixo dos 7. Algumas espécies de peixes não toleram um pH ácido por um longo período, resultando em sua morte.

O.D – A presença do oxigênio dissolvido é altamente importante para os peixes, sem oxigênio na água os organismos aeróbios morrem. Algumas espécies de peixe toleram 2 mg/L de oxigênio por longos períodos, mas outras não. Uma O.D baixa pode representar uma alta DBO ( Demanda bioquímica de oxigênio) na água, provocada pelo lançamento de alta carga orgânica(esgotos industriais ou domésticos) no curso d’água. Quanto menos oxigênio dissolvido, menos diversidade de espécies. Valores de O.D abaixo de 2 mg/L favorecem o aparecimento de bactérias anaeróbias( não precisam de oxigênio) na água. Em seus processos de digestão, esse tipo de bactéria emana gases como o metano e o gás sulfídrico, o primeiro possui cheiro de cebola podre (mercaptanas) e o segundo tem cheiro de ovo podre. No curso d’água analisado, principalmente no ponto 2 havia um odor bem forte de ovo podre. No ponto 1 o cheiro principal era de leite podre. É importante frisar que os impactos causados pelo seu lançamento ocorrem mais abaixo, exatamente como no ponto 2.

Fósforo Total – Os fosfatos são nutrientes para os microorganismos, principalmente algas. Eles estão presentes principalmente no esgoto. Fosfatos em alta concentração podem ocasionar eutrofização do corpo d’água provocando anoxia( falta de oxigênio).

Conclusão
Os corpos d’água também possuem a função de diluidores de efluentes. Existe uma relação entre a vazão do rio e a vazão do despejo, se a razão da diluição for alta, as concentrações do poluente podem ser baixas o suficiente para não causar impactos . É importante também que as características do efluente precisam ser compatíveis com a capacidade de depuração dos cursos d’água que irão receber os resíduos, caso contrário, a DBO do efluente será demais para o córrego, lago ou rio, provocando a redução drástica da diversidade aquática. No caso analisado, percebe-se claramente que a vazão do córrego é muito baixa para o tipo de efluente que está sendo lançado. Mesmo que todo o córrego Santo Antônio fluísse no seu leito natural, ainda assim ele não seria capaz de depurar a matéria orgânica. A DBO de derivados do leite é bem superior ao do esgoto doméstico e por tal fato é necessário que a Indústria de laticínios citada faça uma adequação de seu tratamento de esgoto de acordo com a vazão do córrego, não provocando os impactos que seus resíduos tem causado ao manancial.
Resumo dos problemas encontrados no córrego Santo Antônio:
1) Não detectamos a presença de organismos aeróbios superiores como peixes no trecho do córrego analisado;
2) Havia odor forte principalmente no ponto 2, esses odores são típicos de cursos d’agua com baixa oxigenação;
3) Todos os parâmetros analisados estavam alterados, sempre para valores bem abaixo do indicado para cursos d’água de classe 2. No caso analisado acreditamos que o curso se enquadra na classe 4,  para água que só presta para usos menos exigentes ou navegação. O córrego da forma como está é também um potencial transmissor de doenças de veiculação hídrica, colocando em risco a saúde da população da região.
Análise da água e relatório: Ernesto Augustus (Meia Ponte.Org.)
Fotos: Helena Bernardes e Júlio César (Sos Nascentes)

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